Autoestima é o que faz toda a diferença. Quando pesava 106 kg, a estudante Carmela Vecchione, universitária de 21 anos, se escondia atrás de um tipo engraçado. “Aquela que faz a piadinha, e todo mundo dá risada, mas, em termos de confiança como mulher, era um assunto delicado. Não era uma parte minha que estava bem desenvolvida”, diz a jovem.
Agora, com 75 quilos, ela é outra Carmela. “Eu acho que hoje sou uma pessoa mais solta. Eu digo que sou outra pessoa”, declara.
A estudante Maria Cecília Ribeiro de Souza emagreceu 27 quilos. Perdeu o hábito de comer frituras e, aos 16 anos, encontrou o doce sabor de ser admirada. Ela revela que hoje se sente atraente como mulher.
Mas não foi só beleza que as duas garotas conquistaram. “Eu tinha tendência ao diabetes, até porque minha avó tem diabetes. E por eu ser gordinha, isso fica mais próximo de eu ter a doença”, revela Cecília.
Carmela, além do risco de diabetes, tinha gordura no fígado, a chamada esteatose hepática. Mas as duas meninas não eram exceção. Os 300 jovens que participaram do programa tinham algum problema causado pela obesidade.
O endocrinologista Lian Tock lista os problemas de saúde mais encontrados nos jovens: “Diabetes, esteatose hepática, que é gordura no fígado, deslipidemia, colesterol alto, triglicério elevado, doenças circulatórias de um modo geral, fora outras incluindo doenças pulmonares, doenças articulares, doenças na coluna e problemas no joelho devido ao excesso de peso”.
A gordura pesa tanto no corpo como no espírito. “Ao todo, 80% deles apresentam depressão. À medida que eles vão diminuindo o peso, eles vão melhorando dessa depressão”, aponta o doutor Lian.
O endocrinologista aponta um vilão: o sedentarismo. Cecília, que chegou a pesar mais de 100 kg, confessa: “ficava muito tempo parada, só na frente do computador. Não fazia esporte nenhum”. A jovem conta também que enganava os professores na aula de educação física na escola: “Ele estava olhando, dava uma corridinha parava e andava normal”.
Agora, ela não tem mais porque enganar. Hoje, Cecília tira o teste de esforço de letra. Na academia, ela malha de segunda à sexta. E a jovem revela o que ganhou, perdendo tantos quilos: “saúde”.
“Existe uma chance altíssima da criança e do adolescente obeso se tornar um adulto obeso e aumentar todos esses riscos de saúde”, destaca a pesquisadora Ana Dâmaso, da Unifesp.
Mas não é um processo fácil. A estudante Silvia Szterenfeld tem 17 anos. Quando participou da pesquisa, emagreceu dez quilos, mas recuperou tudo de novo. “Eu estou voltando aos poucos com a dieta. Pretendo seguir com isso até conseguir chegar a um ponto em que eu não me esqueça que eu tenho que comer certo”, diz.
Casos como o de Silvia se multiplicam no Brasil e em muitos países.
Nenhum comentário:
Postar um comentário